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YAC H T MA I S
J U N H O ’ 2 0 2 0
A questão é que alteramos a nossa rotina
da noite para o dia e nem tivemos tempo de
nos preparar para isso. Atividades diárias
deixaram de ser realizadas e as referências
foram perdidas. Criar uma nova rotina exi-
ge muita energia e modificações internas
para compreendermos como será nossa
vida enquanto o coronavírus for uma ame-
aça à nossa saúde.
“Esse cansaço físico é
ocasionado pela necessidade de reor-
ganizarmos o nosso dia a dia. A tensão
se faz presente quando tentamos en-
contrar o equilíbrio entre o que preci-
sa ser feito e a forma como pode ser re-
alizado, já que a vida tem que seguir”,
salienta a psicoterapeuta. Além disso, não
temos mais o direito de ir e vir. E para não
nos sentirmos presos, precisamos enxergar
na nossa casa um ambiente de refúgio.
Nada do que sentimos é aleatório. Se
adotamos alguma ação com foco na nos-
sa segurança, é porque sentimos medo de
algo. Quando evitamos o fogo, é porque não
desejamos nos queimar. Não ficamos em lo-
cais altos sem a devida proteção por receio
da queda.
“Todos os sentimentos são
importantes para todos nós, pois cada
um traz uma função”
, explana a psicote-
rapeuta integrativa, Manuela Ludovico.
No cenário atual, onde a pandemia do
Covid-19 é o principal foco de todos, é nor-
mal nos protegermos. Ficar em casa, adotar
as medidas de higiene necessárias, evitar
contatos sociais são algumas das medi-
das que tomamos em prol da nossa saúde.
E quando nosso corpo entende que esta-
mos agindo dessa forma para nos proteger,
é natural que o medo se manifeste. O que
prejudica essa manifestação, é quando não
a compreendemos, negando ou esconden-
do esse medo. A tal resposta de estresse
- que surge quando estamos em uma si-
tuação emergencial e a amígdala dispara
uma resposta para o nosso corpo, liberan-
do dois hormônios na corrente sanguínea:
o cortisol e a adrenalina - desgasta o corpo
e desencadeia diversos fatores como dor, ir-
ritabilidade, perda de memória, problemas
com o sono, dentre outros.
“Esses elemen-
tos caracterizam a ansiedade que nada
mais é do que uma pré-ocupação. Nossa
mente se direciona para situações futu-
ras que sequer temos certeza que irão
acontecer”
, exemplifica Manuela.