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É POSSÍVEL UMA PESSOA SER PRODUTIVA, CUMPRIR METAS E ENTREGAR BONS RESULTADOS E, AINDA ASSIM, ESTAR COMPLETAMENTE DESENGAJADA DO TRABALHO? Sim, sem dúvidas. Produtividade e engajamento não são sinônimos. Uma pessoa pode continuar entregando por responsabilidade, necessidade financeira, medo de perder o emprego ou até por automatismo, sem estar emocionalmente conectada ao que faz. O que acontece é uma “presença sem pertencimento”: o profissional está presente, cumpre sua função, mas já não se reconhece naquele trabalho. Atendendo grandes organizações como consultor, aprendi que essa produtividade sem conexão pode até funcionar, mas geralmente por pouco tempo. A pessoa sustenta os resultados porque é competente, disciplinada e responsável, mas o que sustenta a produtividade no longo prazo é o engajamento real com o trabalho. Quando essa conexão desaparece, tendem a diminuir a criatividade, a iniciativa, a disposição para colaborar e a qualidade das entregas. A pessoa continua funcionando, mas deixa de florescer e, mais cedo ou mais tarde, isso também se reflete nos resultados. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS SINAIS DE QUE O PROBLEMA DEIXOU DE SER APENAS CANSAÇO OU INSATISFAÇÃO E PASSOU A SER UMA FALTA DE SENTIDO NO QUE SE FAZ? O cansaço costuma pedir descanso. A falta de sentido, por sua vez, faz a pessoa perguntar por que deveria continuar. Um dos principais sinais é quando nem mesmo as férias, o reconhecimento ou uma diminuição momentânea da pressão conseguem restabelecer a conexão com o trabalho. Ao longo de mais de dez anos trabalhando com sentido e propósito, percebi que a crise de sentido costuma aparecer por meio de uma sensação persistente de vazio, da indiferença em relação aos resultados e da dificuldade de perceber a utilidade do que se faz. Tornam-se recorrentes perguntas como: “Qual é o sentido disso?”, “Para que estou fazendo tudo isso?” ou “É só isso?”. Também pode surgir um distanciamento emocional: a pessoa deixa de sentir orgulho, curiosidade ou vontade de contribuir. Ela não está apenas cansada do volume de trabalho; está desconectada do significado dele. POR QUE TANTAS PESSOAS CONQUISTAM O CARGO, O SALÁRIO OU O RECONHECIMENTO QUE DESEJAVAM E, MESMO ASSIM, CONTINUAM SENTINDO VAZIO PROFISSIONAL? Porque sucesso e sentido são dimensões diferentes da realização. O cargo, o salário e o reconhecimento podem responder à pergunta “O que eu conquistei?”, mas não necessariamente às perguntas “Quem estou me tornando?” e “Para que tudo isso serve?”. Ensinando alunos de mais de 30 países, percebi que, apesar das diferenças culturais, essa experiência se repete: muitas pessoas constroem suas carreiras orientadas por expectativas externas — aquilo que a família, o mercado ou a sociedade definiram como sucesso. Quando finalmente chegam ao lugar desejado, descobrem que conquistaram uma meta que talvez nunca tenha sido verdadeiramente delas. Além disso, nossa capacidade de adaptação faz com que conquistas que pareciam extraordinárias rapidamente se tornem normais. Se não houver coerência com os próprios valores, espaço para evolução e percepção de contribuição, o sucesso exterior pode coexistir com um profundo vazio interior. Nem toda ascensão profissional representa uma aproximação de si mesmo. QUANDO FALAMOS EM PROPÓSITO NO TRABALHO, ESTAMOS FALANDO NECESSARIAMENTE DE AMAR O QUE FAZEMOS OU PROPÓSITO PODE SER CONSTRUÍDO MESMO EM UMA ATIVIDADE QUE NÃO É A NOSSA GRANDE PAIXÃO? Paixão e propósito não são a mesma coisa. A paixão está relacionada ao entusiasmo, ao interesse e ao brilho nos olhos. O propósito está relacionado à contribuição: à expressão de nossos talentos a serviço de algo maior do que nós mesmos. No meu livro A Revolução do Propósito, explico que o propósito nasce da integração entre singularidade e contribuição. A singularidade é composta por talentos, paixões e valores. A contribuição envolve a visão de futuro que desejamos ajudar a construir, a mensagem que queremos transmitir e o legado que pretendemos deixar. A paixão, portanto, é um dos elementos do propósito, mas não é o propósito inteiro. É possível encontrar sentido em uma profissão que não seja a nossa grande paixão, especialmente quando reconhecemos sua utilidade, expressamos nossos talentos e percebemos que estamos contribuindo com alguém. No entanto, a sustentabilidade dessa conexão também depende de algum grau de paixão. Se a pessoa não encontra nenhum entusiasmo naquilo que faz, pode até usar seus talentos e gerar impacto durante determinado período, mas, em algummomento, provavelmente faltará o brilho nos olhos. Não precisamos amar cada tarefa do nosso trabalho, mas precisamos encontrar nele algo que mobilize nossa energia, desperte nossa vitalidade e nos faça querer continuar contribuindo. 1 1 YACHT MAIS OUTUBRO’ 2026

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