A volta ao essencial +COM P O R TAM E N TO POR CRIS MONTENEGRO Em meio à hiperconexão e à pressão por produtividade, cresce o desejo de simplificar a rotina, recuperar o tempo e redescobrir prazeres sem obrigação de desempenho. Por muito tempo, avançar pareceu sinônimo de acrescentar: compromissos, informação, tecnologia e metas. Em 2026, um movimento contrário ganha espaço. Em vez de perguntar o que falta incluir na rotina, muita gente passou a questionar o que pode retirar. Buscar o essencial significa recuperar escolhas em um cotidiano marcado por notificações, estímulos e agendas congestionadas. Segundo a Euromonitor International, 58% dos consumidores experimentam níveis moderados a extremos de estresse diariamente e dois terços procuram maneiras de simplificar a vida. Expressões como slow living, consumo consciente e JOMO — Joy of Missing Out, o prazer de ficar de fora — traduzem uma pergunta: precisamos acompanhar tudo? “Estar permanentemente ocupado não significa necessariamente estar realizado. Selecionar o que merece atenção é estabelecer prioridades”, destaca Fabiano Oliveira, psicólogo. QUANDO FICAR DE FORA DEIXA DE SER UM PROBLEMA Um estudo publicado em 2026 no International Journal of Information Management analisou o JOMO como estratégia de autorregulação digital. A pesquisa reuniu quatro estudos, incluindo mais de 210 mil comentários no YouTube, experimentos e uma intervenção de duas semanas. Os resultados associaram a desconexão voluntária a maior autenticidade, liberdade em relação à tecnologia e bem-estar digital, além de menor uso das redes sociais. A pausa parece funcionar melhor quando é percebida como escolha. Pode ser jantar sem o celular porque a conversa merece atenção. Ou cozinhar, ler, cultivar plantas e realizar trabalhos manuais: hábitos que recuperam presença e contato com o mundo físico. MENOS, MAS MELHOR No consumo, ganham espaço escolhas significativas, funcionais e alinhadas à identidade individual. A lógica do “menos, porém melhor” acompanha o interesse por equilíbrio e autenticidade. A pesquisa Voz do Consumidor 2026, da PwC, ouviu mais de 21 mil pessoas em 27 países e revelou que sete em cada dez mantêm pelo menos dois hábitos regulares ligados à saúde e à nutrição. Ao mesmo tempo, aplicativos medem sono, passos, alimentação e produtividade. Tantos instrumentos de acompanhamento talvez reforcem a necessidade de lembrar que nem tudo precisa virar indicador. 1 2 OUTUBRO’ 2026 YACHT MAIS
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