3 1 YACHT MAIS OUTUBRO’ 2026 +D R A . S AC H A S C H I P E R Quando falamos em recuperar o movimento, não estamos falando apenas de voltar a caminhar sem dor. Estamos falando de voltar a subir uma escada sem pensar duas vezes, entrar no carro com facilidade, calçar um sapato, dormir confortavelmente, viajar ou simplesmente acompanhar a própria rotina sem precisar calcular cada movimento. Quando a artrose do quadril chega a estágios avançados, essas pequenas limitações começam a se acumular. Aos poucos, a pessoa deixa de fazer determinadas atividades, adapta outras e passa a organizar a vida em torno daquilo que o quadril ainda permite. É por isso que devolver movimento significa, muitas vezes, devolver independência. Foi a capacidade de mudar essa história que colocou a artroplastia total do quadril em um lugar tão importante na medicina. Em 2007, uma publicação da revista científica The Lancet chamou a prótese total do quadril de “a operação do século”, reconhecendo seu impacto na redução da dor e na recuperação da função de pacientes com doenças articulares avançadas. Uma revisão sistemática publicada posteriormente em Osteoarthritis and Cartilage também encontrou melhora significativa na qualidade de vida após a cirurgia, especialmente em aspectos relacionados à dor e à função física. Mas, para mim, o sucesso de uma prótese não deveria ser medido apenas por uma radiografia bonita. Ele aparece quando o paciente recupera função e volta a fazer aquilo que a dor havia tirado da sua vida. PRESERVAR ANTES DE SUBSTITUIR Sou cirurgiã do quadril, mas meu trabalho não começa pela cirurgia. Sempre que existe indicação, busco preservar a articulação natural e sua função pelo maior tempo possível. Dependendo do diagnóstico e do estágio da doença, podemos trabalhar com fortalecimento muscular, fisioterapia, mudanças de hábitos, controle dos fatores que perpetuam a dor e procedimentos intervencionistas. POR DRA. SACHA SCHIPER, ORTOPEDISTA ESPECIALISTA EM CIRURGIA DO QUADRIL Por que a prótese de quadril ficou conhecida como “a cirurgia do século”? Na minha prática, utilizo também recursos da medicina regenerativa, área à qual dedico parte importante da minha atuação Técnicas como o Plasma Rico em Plaquetas (PRP), obtido a partir do próprio sangue do paciente, podem ser utilizadas em condições específicas com o objetivo de modular processos inflamatórios e estimular mecanismos naturais envolvidos no reparo dos tecidos. Infiltrações com ácido hialurônico e outros recursos intervencionistas também podem fazer parte desse planejamento, sempre de acordo com o diagnóstico, o estágio da doença e as características individuais de cada paciente. Essas estratégias não regeneram uma articulação severamente destruída e não devem ser apresentadas como uma forma de evitar uma prótese a qualquer custo. O que elas ampliam é nossa capacidade de atuar em diferentes momentos da doença, buscando controlar sintomas, preservar função e favorecer um ambiente mais adequado para músculos, tendões e articulações. Eu acredito em preservar antes de substituir. Mas preservar também significa reconhecer o momento em que aquela articulação já não consegue oferecer ao paciente a vida que ele deseja ter. QUANDO A PRÓTESE PASSA A SER O MELHOR CAMINHO É justamente por isso que não indico uma prótese simplesmente porque existe desgaste em uma radiografia. Avalio a intensidade da dor, a limitação funcional, os tratamentos já realizados, as condições clínicas e, principalmente, quanto aquele quadril está interferindo na vida daquela pessoa. Quando existe um comprometimento avançado e as estratégias de preservação deixam de oferecer o resultado necessário, chegar à cirurgia não significa que o tratamento falhou. Em alguns casos, a cirurgia é justamente o tratamento capaz de devolver aquilo que tentamos preservar desde o início: movimento, autonomia e qualidade de vida. Nós não operamos uma radiografia. Operamos uma pessoa que tem uma vida para recuperar. UMA CIRURGIA QUE CONTINUA EVOLUINDO Materiais, implantes, técnicas cirúrgicas e protocolos de recuperação avançaram muito nas últimas décadas. Uma grande análise publicada em The Lancet, com dados de mais de 200 mil próteses totais de quadril, estimou que aproximadamente 58% permaneciam sem necessidade de cirurgia de revisão após 25 anos. Isso não significa que toda prótese terá a mesma longevidade. Idade, características individuais, tipo de implante e diversos outros fatores interferem nesse resultado. Mas o dado ajuda a dimensionar o quanto essa cirurgia evoluiu. Talvez por isso a pergunta mais importante hoje não seja apenas “quanto tempo minha prótese vai durar?”, mas também: “Que vida eu quero voltar a ter depois da cirurgia?” Para mim, é aí que está o verdadeiro significado da chamada “cirurgia do século”. Não aprendemos apenas a substituir uma articulação. Aprendemos a utilizar essa substituição para devolver movimento, independência e a possibilidade de continuar vivendo a própria vida DRA. SACHA SCHIPER Considerada uma das grandes conquistas da medicina moderna, a prótese de quadril transformou o tratamento da artrose avançada — e, principalmente, a possibilidade de devolver movimento, autonomia e qualidade de vida. DRA. SACHA SCHIPER ORTOPEDISTA ESPECIALISTA EM CIRURGIA DO QUADRIL. K www.drasachaschiper.com m Agendamentos:71 99114-9971 Q @drasachaschiper
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