5 2 A onipresença da tecnologia digital ao alcance da mão, transformou o mundo num cenário midiático de códigos secretos e senhas, numa rede intrincada de influências lidas e traduzidas com seus estímulos, em tempo real, visando o “modus vivendi” de seus usuários. Assim, a evolução da comunicação e da tecnologia nos transformaram em seres digitais. E, já não somos mais os mesmos, manipulados ou não! Um tempo em que estamos afastados da realidade, seduzidos para um ambiente virtual, no qual tudo é possível, ficando visível nossa inexperiência de lidarmos com esse novo cenário midiático e da estética, que impulsiona o exibicionismo, principalmente nas mídias sociais, que dá visibilidade a todos, passando a ser campo virtual do imaginário coletivo. Exibir-se faz parte da natureza humana. Entretanto, imagem é coisa séria! Sua complexidade envolve, além da aparência externa, conteúdo. Sendo um instrumento de construção mental que revela sentimentos, ideias, conceitos, tendências e expectativas, entre outros, num processo de comunicação, cujo objetivo é dar visibilidade e aceitação as pessoas, marcas e produtos. Reconhecer a importância do uso da imagem no mundo contemporâneo é saber tratá-la com muito zelo e cautela, principalmente, a pessoal. +A R T I GO POR FERNANDO FARIAS | FOTO RICARDO WEBER *FERNANDO FARIAS É ESCRITOR, PALESTRANTE, MEMBRO DA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - UBE, ARTICULISTA & ANALISTA DE REDES SOCIAIS Exibicionismo digital GeoffreyMiller “Os itens básicos de sobrevivência são baratos, enquanto os produtos de autoestimulação narcisística e ostentação social são dispendiosos. Viver não custa caro, mas exibir-se, sim.” Estamos todos sendo observados! Tudo está exposto, pouca coisa a esconder, na experiência on line. Uma grande maioria impulsionada pela vaidade de ser vista, esquece que está num espaço público, com impacto até nas que questões do judiciário. Muita exposição exige uma imagem bem posicionada e valorizada. Atuar com ética, equilíbrio e profissionalismo, é ter uma excelente ferramenta para expressão da imagem postada. Ainda, esquecem de um bem chamado de “reputação”, que leva anos para ser construído. E, no contexto atual, num clique, pode ser totalmente destruído. Uma aparição requer, além do conteúdo postado, comportamento, postura e vestimenta adequados. Não é só a aparência que diz o que nós somos. A forma de fazer contatos revela muito de nós, também. Para ficarmos bem na foto, não devemos criar um personagem. A autenticidade é fundamental! O que de fato, vai nos diferenciar das outras pessoas é o que conta. E isso é que vai fazer com que sejamos lembrados e termos poder de convencimento. Atuar nas redes sociais é muito bom e uma excelente ferramenta para expressão de nossa marca pessoal. Porém, nesse cenário, sempre transitam outros atores que se apresentam ávidos de abordarem pessoas incautas, suas presas para o mundo dos crimes cibernéticos, abrindo um universo de possibilidades, face a exacerbação da vaidade para ganhar visibilidade e, por conseguinte, muitos seguidores. Ainda, utilizando com inexperiência os aplicativos e a falta de critérios que envolvem uma exposição pública. O exibicionismo, próprio da natureza humana, deve se apoiar numa imagem sustentada pelo equilíbrio das emoções e no comportamento ético, além do conhecimento do uso da tecnologia. O impacto da socialização digital é brutal na sociedade contemporânea e seus efeitos podem ser catastróficos se não houver o gerenciamento dos riscos, face a engenharia social, que sob essa ótica, se refere à manipulação psicológica de pessoas para execução de ações ou divulgação de informações confidenciais. O exibicionismo pode custar muito caro!
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