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Texto Líliam Cunha Fotos Divulgação
A casualidade
como inspiração
A trajetória meteórica do designer Guilherme Wentz
Design Brasileiro
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Transformar ambientes em extensões contempla-
tivas da natureza, sob uma perspectiva simples e
contemporânea, exaltando a “terra brasilis” e sua
tropicalidade. Foi com esse propósito que há três
anos o designer Guilherme Wentz deu início a
sua marca própria, a WENTZ. Iniciada ao acaso,
sua trajetória no mercado de design é curta, po-
rém, premiadíssima. Conquistou, com apenas
dois anos de carreira, o prêmio IDEA Brasil por seu
primeiro produto no mercado e a escrivaninha
Officer, desenvolvida para a marca paulistana De-
cameron. Um ano depois, em 2013, o seu segun-
do projeto, a Coleção K para Riva, conferiu a ele o
prêmio máximo do setor, o iF Design Award.
A partir daí, o jovem talento, de apenas 26 anos,
montou seu estúdio e passou a desenhar mó-
veis, luminárias e objetos para diferentes marcas
do mercado, sendo nomeado “Rising Talent” pela
Maison&Objet Americas e “Talento em Ascen-
são” no Prêmio Casa Vogue. Em pouco tempo, o
trabalho mais autoral e independente culminou
numa marca, cujo marco inicial foi dado por ele,
a inauguração de uma loja em São Paulo (2019).
“Aumentamos o portfólio de produtos e passamos
a nos comunicar mais como marca, implantando
todos os nossos conceitos e ativando mais senti-
dos, não só o visual, mas de experiência”, afirma o
designer.
Mas, quem vê esse sucesso meteórico não ima-
gina que a carreira começou do zero, semnenhum
contato ou referência de design, motivada por uma
busca pessoal de desenvolver um trabalho criati-
vo, que levasse as pessoas além da observação da
beleza dos objetos e que elas pudessem vivenciar
experiências. A mudança de vida do gaúcho, de
Caxias do Sul, se deu aos 21 anos, quando, diz ele,
passou a cultivar o hábito de ir à praia.
“Percebi que durante a semana eu não tinha os
mesmos hábitos e valores que eu vivia nos finais
de semana, quando estava na praia, e isso passou a
me incomodar eme fez repensar minha vida emi-
nha carreira profissional”, lembra Guilherme. Com
isso, abandonou o curso de administração de em-
presas e começou a estudar design de produtos. “A
falta de referências me fez buscar o caminho do
design autoral, minhas criações são pensadas para
ser um lugar de refúgio da vida cotidiana, uma fer-
ramenta para estilo de vida simples, casual e co-
nectado com a natureza. É isso que busco em cada
projeto: tirar um pouco da frieza da casa”, explica.
Perguntando sobre qual peça gosta mais, o de-
signer desconversa, mas afirma que o start para o
sucesso veio com o vaso Pós-Tropical, uma peça
feita para atender a um convite do Museu de Arte
Moderna de São Paulo. “Esse vaso, embora seja
uma peça pequena, foi o pontapé inicial para a
produção de um trabalho mais autoral. Eu quis
que ele parecesse um improviso, houve casuali-
dade na construção. Ali comecei a construir a for-
ma de raciocínio que trago hoje em todas as ou-
tras peças que levam a minha assinatura”, diz. Vale
destacar que, em 2017, esse projeto foi adquirido
para o acervo permanente do Museu do Design e
da Moda de Lisboa.
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