RevistaAcomac Bahia l 47 Tive oportunidade de trabalhar em uma grande instituição do nosso estado que atua na área social e de saúde onde tínhamos enormes problemas com os fornecedores de equipamentos, materiais e insumos médicos. Fizemos uma rigorosa seleção visitando, inclusive, as instalações e depósitos de todos os que se habilitaram a serem fornecedores e estabelecemos um pacto informal baseado no que denominamos de pilares de parceria. Cabia ao fornecedor ter: 1. Probidade no relacionamento (honestidade acima de tudo); 2. Qualidade de produtos (na área médica pode significar a vida dos clientes); 3. Pontualidade na entrega (idem acima); e 4. Preços competitivos (só o menor preço, eventualmente, não interessa se os dois pontos acima não são atendidos). Em contrapartida, a instituição oferecia: 1. Probidade no relacionamento; 2. Critérios planejados e transparentes de compras; 3. Cliente com alto consumo; 4. Pagamentos absolutamente em dia. Conseguimos estabelecer uma relação de confiança entre a instituição e os fornecedores com ganhos de parte a parte. Naturalmente que, sejam os colaboradores do primeiro caso citado ou fornecedores do episódio acima, confiança não se dá de “olhos fechados” ao primeiro que aparece. A confiança se constrói pela disciplina levada ao extremo que gera o respeito entre as partes e gradativamente vai consolidando e aprofundando a confiança. Quando se fala em confiança, automaticamente pensamos na confiança moral, ou seja, no fato de uma pessoa ser honesta ou não (1º pilar da parceria citada). A confiança possui, no entanto, possui quatro vertentes que devem ser conquistadas, passo a passo, para se estabelecer a confiança plena, na ordem de importância a seguir: 1. Confiança moral que é composta de honestidade, caráter e ética. Uma vez quebrada, muito difícil ou quase impossível de ser reconstruída. É como um cálice de cristal. Trincou... 2. Confiança conceitual: reside no fato de que as pessoas devem acreditar e praticar os valores inalienáveis e a filosofia empresarial. 3. Confiança profissional: está relacionada às habilidades, competência e conhecimentos dos colaboradores da empresa; e, por fim; 4. Confiança afetiva: é a criação de um ambiente harmonioso, sinérgico e alegre de trabalho na empresa. Em relação à confiança conceitual, Jack Welch quando assumiu a GE e a transformou na maior empresa do mundo, classificou os gerentes em quatro quadrantes. 1º quadrante: aqueles que acreditavam e praticavam a cultura empresarial e estavam gerando resultados satisfatórios: todos foram promovidos para disseminar esta cultura; 2º quadrante: aqueles que acreditavame praticavama cultura empresarial, mas por motivos diversos não estavam gerando os resultados desejados: todos foram capacitados para produzirem resultados, pois o entendimento era de que, dominar e praticar os valores da empresa era fundamental para se formar uma equipe de confiança; 3º quadrante: aqueles que nem acreditavam nem praticavam a cultura empresarial e não estavam gerando resultados: todos foram desligados, e; 4º quadrante: aqueles que estavam produzindo resultados de qualquer forma, fora da cultura e valores da empresa: Welch afirma na sua autobiografia que foi a decisão mais difícil. Todavia, optou por desligar a todos. Ou se tem uma única cultura para gerar a confiança conceitual na empresa ou não se construirá uma grande sociedade de confiança, uma organização empresarial.No que tange a confiança profissional, apoiamos diversas empresas onde é muito comum se colocar como gerente ou mesmo diretor financeiro, a esposa, o filho, o irmão ou aquele amigo que trabalhou em banco. O que se está fazendo é privilegiar a confiança afetiva e também moral no processo seletivo, em detrimento da confiança conceitual e profissional. O seu melhor amigo sempre foi o seu melhor amigo? Você escolhe o seu dentista ou médico porque ele é seu amigo? Construir relações de confiança é um exercício continuado e muitas vezes exaustivo, mas é o melhor caminho para que se tenha equipes produtivas onde o custo da desconfiança será praticamente zero. Um das melhores maneiras de formar esses times é substituir o antigo e ultrapassado organograma por uma macroestrutura horizontal. Mas isso é outra história. h * O administrador Ângelo Veiga e formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), sendo sócio fundador do Instituto Planos Tecnologia Empresarial e Desenvolvimento Humano. Contato: angeloveiga@institutoplanos.com.br
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