Acomac 84

46 l RevistaAcomac Bahia Gestão eMarketing PorÂngelo Veiga l FotosReprodução/Divulgação desconfiança O empresariado brasileiro é em sua essência um vencedor! Desde que me entendo por gente, vivemos uma crise econômica atrás da outra com breves momentos de bonança. Mas depois da bonança sabemos o que vem: tempestade. Durante décadas convivemos com o dragão da inflação que era o mal de todos os males. Soluções miraculosas para aniquilar o monstro não faltaram: Plano Cruzado de Dílson Funaro e Sarney em 86, Cruzado II, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor (a única bala que o Presidente alardeava que teria para acabar com a inflação e nesse discurso confiscou os recursos financeiros de todos nós) e finalmente o Plano Real, concebido a partir do aprendizado e dos erros cometidos nestes planos citados. Estamos vivenciando outro tipo de crise. A desconfiança dos investidores no que o Governo é capaz de realizar a partir das promessas feitas e do discurso oficial. A contabilidade criativa, marca deixada pelo último Ministro da Fazenda, jogou a credibilidade das contas públicas, duramente construída, literalmente na lata do lixo. Por pouco não perdemos o grau de investimento. Na última análise de risco da agência Standard&Poors mantivemos o limite mínimo. O rebaixamento iria implicar em perdermos o acesso a 75% dos recursos disponíveis no planeta para investimento a taxas entre 2 e 5% ao ano, pois o país estaria classificado como um possível caloteiro da dívida, tendo que captar recursos para se financiar, a juros entre 5 e 10% ao ano. Neste cenário macro, podemos constatar o custo que a falta de credibilidade, ou desconfiança, nos dirigentes pode causar no âmbito das finanças de um país. Oscar Motomura, fundador da Amana Key, num trabalho muito interessante, listou o que ele denominou de custos invisíveis nas empresas, que é uma relação com 64 pontos. Para citarmos apenas os que entendemos mais relevantes para o tema abordado, estão: O custo da 1. Custo da lacuna entre o discurso e a prática genuína. 2. Custo da desconfiança e dos controles excessivos. 3. Custo do “hierarquismo” e do formalismo excessivo. Todos os itens citados estão diretamente vinculados, de uma forma ou de outra, à desconfiança nas relações humanas. Tal qual a desconfiança dos investidores no país, caracterizado no primeiro dos três pontos listados, nas empresas existe o custo invisível da desconfiança entre algum ou vários dos atores que compõem o ambiente empresarial: clientes, colaboradores, empresários, fornecedores e acionistas. O tamanho do custo da desconfiança é diretamente proporcional às burocracias inúteis e controles criados (que crescem numa espiral voraz) e mantidos “ad eternum”, pelo fato de não se ter confiança. Não raro, o custo do controle é maior que o valor da possível perda. Como então evitar o custo da desconfiança? Construindo uma verdadeira sociedade de confiança entre os protagonistas citados. Um cliente nosso tinha como paradigma, que suas lojas deveriam ter fiscais nas portas para inibir o roubo, apesar da existência das antenas de alarme. Mudamos essa prática. Primeira etapa: capacitação e treinamento para os gerentes de venda evoluírem à condição de empresários-parceiros, verdadeiros gerentes da unidade de negócio como um todo, responsáveis pelos resultados, partilhando o lucro e com a responsabilidade delegada de formar sua equipe de confiança. Com a delegação da formação da equipe para o gerente da loja com o apoio efetivo e decisivo do RH, as metas relacionadas à redução de perdas foram superadas. Por decisão individual dos mesmos, sob a influência da área de apoio, o cargo de fiscal de portaria foi extinto, economizou-se mais de R$ 500 mil/ano com salários e encargos e o índice de perdas foi reduzido emmais de 10%. Havia desvios tanto de clientes como de colaboradores. “Construir relações de confiança é umexercício continuado emuitas vezes exaustivo, mas é omelhor caminho para que se tenha equipes produtivas”. Ângelo Veiga

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