Quando os filhos se afastam Entre mudanças do desenvolvimento e sinais de sofrimento emocional, Marilan Braga explica como presença, escuta e vínculo ajudam pais e filhos a permanecerem próximos. MARILAN BRAGA o Av. Tancredo Neves, nº 620, Mundo Plaza Empresarial, Sala 1703 - Caminho das Árvores m 71 98234-8542 Q @marilanbraga Há um momento em que muitos pais deixam de saber como interpretar os próprios filhos. A criança antes comunicativa passa a se irritar; o adolescente prefere o quarto, responde menos ou se refugia nas telas. Entre a autonomia de quem está crescendo e mudanças que podem sinalizar sofrimento, surge uma pergunta difícil: isso é só uma fase ou meu filho não está bem? Para a psicóloga clínica Marilan Braga, especialista em Infância e Adolescência, a resposta começa pela observação do que mudou e do impacto disso na vida do filho. Em conversa com a Yacht Mais, Marilan explica quais sinais merecem atenção e como preservar o vínculo à medida que os filhos crescem. Como saber se é apenas uma fase ou se meu filho precisa de ajuda? YACHT MAIS: Existe uma fronteira entre comportamentos esperados do desenvolvimento e aqueles que devem preocupar os pais? MARILAN BRAGA: Mudanças fazem parte da infância e da adolescência, mas precisamos observar intensidade, frequência, duração e impacto. Quando algo persiste, provoca sofrimento ou interfere na escola, nas relações, no sono, na alimentação ou no que antes dava prazer, merece atenção. E digo aos pais: levem a sério aquela sensação de “meu filho não está como antes”. O silêncio de um filho também diz algo sobre a relação construída em casa? YACHT MAIS: Quando uma mãe diz “meu filho não conversa mais comigo”, por que é importante olhar também para a forma como essa comunicação acontece? MARILAN BRAGA: Porque precisamos entender o espaço que esse filho encontra quando tenta falar. Se a conversa costuma virar interrogatório, julgamento, crítica ou sermão, ele pode começar a se proteger. Às vezes, estar disponível sem exigir que fale naquele momento aproxima mais do que insistir. Para compreender o silêncio, precisamos olhar também para o que acontece quando ele é rompido. A confiança não começa nas grandes conversas; ela é construída nas pequenas. Quando a tela deixa de ser entretenimento e começa a ocupar outro lugar? YACHT MAIS: Mais do que contar horas de uso, o que os pais deveriam compreender sobre a relação dos filhos com as telas? MARILAN BRAGA: Precisamos perguntar qual função a tela está cumprindo. É diversão ou se tornou uma forma de aliviar ansiedade, fugir de conflitos, evitar frustrações ou encontrar pertencimento? Quando começa a substituir sono, convivência, estudos, interesses e relações presenciais, merece atenção. Reduzir o tempo sem compreender o que sustenta esse comportamento resolve apenas parte do problema. É possível reconstruir a confiança quando pais e filhos já se afastaram? YACHT MAIS: Se quase toda conversa virou cobrança, discussão ou silêncio, como voltar a ser um lugar seguro para esse filho? MARILAN BRAGA: É possível, mas a relação precisa ser cuidada também fora dos conflitos, com tempo, coerência e experiências positivas de convivência. Os adultos precisam reconhecer quando erram e reparar. Pedir desculpas não diminui a autoridade, assim como limite e afeto não são opostos. Não existe parentalidade perfeita. No fim, queremos filhos que saibam que podem ganhar o mundo, mas continuem reconhecendo em casa um lugar seguro para voltar. Ao crescer, os filhos inevitavelmente mudam a maneira de se relacionar com os pais. O desafio não está em impedir esse movimento, mas em permanecer atento ao que muda junto com ele. Para Marilan Braga, preservar o vínculo não significa evitar o afastamento natural do crescimento, mas construir uma relação na qual o filho ainda saiba que pode voltar. Sobre Marilan Braga Psicóloga Clínica | CRP 03/12174 Especialista em Infância e Adolescência Abordagem: Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) MARILAN BRAGA 1 9 YACHT MAIS OUTUBRO’ 2026
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