+L U C I A N A R A B E L LO Conhecimento, visão estratégica e geração de valor. Ser conselheira emummundo em transformação Ser conselheira é contribuir para que uma organização tome decisões melhores, compreenda os riscos que assume e reconheça oportunidades em um ambiente empresarial cada vez mais complexo. Essa responsabilidade exige experiência, mas também disposição para rever certezas e aprender com aquilo que ainda não conhecemos. Acredito que a curiosidade intelectual é uma das qualidades essenciais de quem deseja contribuir de forma relevante para um conselho. Ela nos leva a fazer perguntas, buscar outras perspectivas e perceber que conhecimentos antes considerados periféricos podem se tornar decisivos para a estratégia de uma empresa. Transformações tecnológicas, mudanças regulatórias, novas expectativas da sociedade e diferentes formas de acesso a capital estão alterando as condições em que as organizações competem e preservam seu valor. A inteligência artificial e as questões ambientais, sociais e de governança fazem parte desse cenário e exigem análise sobre seus efeitos concretos no negócio. Nesse contexto, o papel da conselheira empresarial também precisa evoluir. O domínio de uma especialidade continua sendo valioso, mas a contribuição ao conselho depende da capacidade de conectar conhecimentos e compreender como diferentes fatores afetam a organização ao mesmo tempo. Uma decisão estratégica raramente produz efeitos emuma única dimensão. Uma mudança regulatória pode modificar processos, custos e relações com clientes. Uma questão ambiental pode influenciar a reputação, o acesso a capital e a continuidade de uma operação. Da mesma forma, cultura organizacional, diversidade, ética e integridade têm implicações para a competitividade e para a confiança de investidores, profissionais e demais públicos com os quais a empresa se relaciona. É por essa razão que vejo o ESG como parte relevante da agenda dos conselhos. Sua contribuição se torna mais consistente quando as questões ambientais, sociais e de governança são consideradas na definição da estratégia e na avaliação dos riscos. Cabe ao conselho compreender quais desses fatores são relevantes para cada organização, como afetam seu desempenho e de que maneira devem orientar decisões de longo prazo. Minha trajetória em governança corporativa, governança pública, gestão de projetos, práticas internacionais e estruturação de organizações ampliou minha compreensão sobre a importância de examinar uma mesma questão por diferentes ângulos. Essas experiências me mostraram que uma decisão pode parecer adequada sob uma perspectiva e revelar fragilidades quando analisada em seu contexto mais amplo. Por isso, entendo a atuação como conselheira empresarial como um exercício permanente de aprendizagem. Acompanhar mudanças econômicas, tecnológicas, regulatórias e sociais é parte desse trabalho. O desafio está em selecionar informações relevantes, interpretar suas consequências e transformá-las em perguntas que ajudem a gestão a decidir com maior clareza. Questionar é uma das dimensões mais importantes dessa atuação. Perguntas bem formuladas permitem testar premissas, examinar alternativas e explicitar riscos que poderiam passar despercebidos. Esse diálogo exige respeito às atribuições da gestão executiva e independência para abordar questões difíceis. Vejo o conselho como um espaço em que experiências e competências distintas se encontram para qualificar a reflexão estratégica. A diversidade de perspectivas contribui quando seus integrantes conseguem ouvir, confrontar argumentos com consistência e construir uma compreensão compartilhada dos desafios da organização. A experiência acumulada oferece repertório e discernimento. Seu valor se amplia quando vem acompanhado de abertura para aprender e capacidade de adaptação. Se o mercado, os riscos e as expectativas mudam, também precisam evoluir as perguntas que fazemos em uma sala de conselho. Meu posicionamento como conselheira empresarial parte dessa compreensão. Quero contribuir para uma governança que exerça sua função de supervisão e ofereça condições para uma reflexão estratégica sobre o futuro do negócio. Isso significa examinar as relações entre desempenho, pessoas, reputação e sustentabilidade, considerando a perenidade da organização e o valor que ela gera para seus diferentes públicos. Ser conselheira exige preparo para perceber sinais, aprofundar a análise e ampliar perspectivas antes de uma decisão. Exige, ainda, a humildade de reconhecer os limites do próprio conhecimento e buscar as contribuições necessárias para superá-los. Em um mundo em transformação, acredito que minha melhor contribuição está em ajudar a organização a compreender o que está em jogo em cada escolha. É dessa clareza, construída com conhecimento, escuta e questionamento responsável, que podem surgir decisões mais consistentes para o futuro. LUCIANA RABELLO Advogada | Board Advisor | Mestre Adm Púb | FGV | Governança | Gestão Pública Q @lucianarabellop Conectar conhecimentos, ampliar perspectivas e transformar complexidade em clareza para decidir. 4 9 YACHT MAIS OUTUBRO’ 2026
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