Nunca foi tão fácil produzir conteúdo. Em poucos minutos, é possível escrever, criar imagens, editar vídeos e alimentar diferentes canais. A inteligência artificial acelerou processos e ampliou possibilidades. Mas aí está um dos paradoxos do nosso tempo: nunca produzimos tanto e nunca foi tão difícil conquistar atenção de verdade. A disputa já não é apenas por espaço. É por relevância. Durante muito tempo, aparecer foi tratado como sinônimo de comunicar. Estar na imprensa, publicar nas redes sociais, participar de eventos e criar campanhas continua sendo importante. O problema começa quando presença vira estratégia por si só. A pergunta FOTO: ORÍKÌ +COMU N I C A Ç ÃO P O S I T I VA e mais sobre fazer sentido Em 2027, comunicar será menos sobre aparecer POR CRIS MONTENEGRO* m 71 99303-9272 k falecomcrismontenegro@gmail.com Q @comunicacaopositiva_ Q @crismontenegrojornalista “Quanto mais simples se torna produzir, maior é o valor do repertório, da sensibilidade, da credibilidade e da capacidade de estabelecer relações.” Em meio ao excesso de conteúdo, à inteligência artificial e à disputa por atenção, relevância, confiança e coerência ganham ainda mais valor. precisa ser outra: quando uma empresa aparece, ela tem algo a dizer? Em 2027, acredito que essa questão ganhará ainda mais importância. Quanto mais simples se torna produzir, maior é o valor do repertório, da sensibilidade, da credibilidade e da capacidade de estabelecer relações. O Relatório Especial Edelman Trust Barometer 2026 mostrou que, no Brasil, 91% dos entrevistados consideram a confiança na marca um fator importante ou decisivo na compra. O estudo também destaca a força da mídia conquistada: o que outras pessoas dizem sobre uma marca tende a pesar mais na construção de confiança do que suas próprias afirmações. Para quem trabalha com assessoria de imprensa, esse dado diz muito. Nosso trabalho vai além de conseguir uma publicação: envolve construir narrativas consistentes, identificar assuntos relevantes e fazer uma empresa ser reconhecida pelo que efetivamente entrega. A inteligência artificial também exige reflexão. Ela pode organizar, sugerir caminhos e ampliar a produtividade. O que não deve fazer é transformar todas as marcas em vozes parecidas. Em um ambiente no qual todos conseguem produzir mais, corremos o risco de oferecer cada vez mais do mesmo. O Digital News Report 2026, do Reuters Institute, realizado em 48 mercados, mostrou que apenas 37% dos entrevistados confiam nas notícias na maior parte do tempo. Para informações provenientes de chatbots de IA, o índice ficou em 20%. *Cris Montenegro é assessora de imprensa, comunicóloga e jornalista (DRT-BA 2521), com 21 anos de experiência em comunicação empresarial e atuação junto a grandes instituições da Bahia. À frente da Cris Montenegro – Comunicação Positiva, tem a assessoria de imprensa como foco principal e, como extensão do seu trabalho, assina a edição da revista Yacht Mais e é colunista do jornal Tribuna da Bahia. Tecnologia amplia o acesso, mas não necessariamente a confiança. Esta nasce de boas experiências e da coerência entre discurso e prática. Também precisamos reconhecer o valor do silêncio. Nem toda data exige um post, nem toda tendência precisa ser seguida. Estratégia é escolha, inclusive sobre quando participar de uma conversa. Depois de mais de duas décadas na comunicação, vejo ferramentas e formatos mudarem, mas relações continuam sendo construídas entre pessoas. E reputação continua exigindo tempo. Ao olhar para 2027, quero saber quais marcas serão reconhecidas em meio a tanto ruído. Talvez o desafio não seja encontrar novos espaços para falar, mas boas razões para ser ouvido. Porque aparecer ficou mais fácil. Fazer sentido é que continuará fazendo diferença. “Talvez o desafio não seja encontrar novos espaços para falar, mas boas razões para ser ouvido.” 2 0 OUTUBRO’ 2026 YACHT MAIS
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