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DR. WADIH HABIB Construir patrimônio costuma ocupar décadas de trabalho, decisões, investimentos e riscos. Nesse percurso, grande parte da atenção permanece voltada ao crescimento, enquanto uma questão igualmente importante pode ser adiada: o que acontece quando quem centraliza decisões e conhece profundamente os negócios deixa de ocupar esse lugar? A continuidade passa, então, a revelar uma dimensão do patrimônio que não se mede apenas pelo valor dos ativos. Para o advogado e estrategista Dr. Wadih Habib, essa reflexão não deve surgir apenas diante da morte. Doenças, acidentes, incapacidades temporárias, um afastamento voluntário dos negócios ou o próprio passar do tempo também podem retirar o fundador do centro das decisões. O ponto está em saber se existe uma estrutura capaz de continuar funcionando nessas circunstâncias. “Construir patrimônio é muito diferente de garantir que ele sobreviva ao seu fundador”, afirma. Em muitas famílias empresárias, a presença do fundador acaba encobrindo fragilidades que só se tornam evidentes quando ele não pode mais decidir. Negociações conhecidas por uma única pessoa, participações societárias sem regras claras, investimentos concentrados e indefinição sobre quem assumiria o comando são alguns exemplos. Enquanto tudo depende da mesma pessoa, a família pode possuir ativos valiosos sem ter construído verdadeira continuidade. Planejamento patrimonial, na visão de Dr. Wadih, começa antes da escolha de qualquer estrutura jurídica. É preciso conhecer os bens, sua titularidade, a organização das empresas, os riscos da atividade empresarial, eventuais garantias pessoais e o nível de preparo de quem poderá assumir responsabilidades no futuro. Antes de buscar uma fórmula, portanto, é necessário compreender a realidade de cada família. “Essas perguntas são mais importantes do que qualquer modelo pronto”, ressalta o advogado. Nos últimos anos, a holding familiar ganhou espaço a ponto de quase se tornar sinônimo de planejamento patrimonial. Ela pode ser uma ferramenta eficiente de organização, governança e sucessão, mas não funciona como resposta automática. A estrutura adequada depende da composição dos bens, das atividades empresariais, dos riscos existentes, do perfil dos herdeiros, dos objetivos familiares e da capacidade de gestão da geração seguinte. Em determinadas situações, uma holding ajuda; em outras, pode apenas acrescentar custo, complexidade e uma perigosa sensação de segurança. Outra distinção ocupa lugar central nesse processo: receber patrimônio não significa estar preparado para administrá-lo. Quotas, imóveis e investimentos podem ser transmitidos aos filhos sem que eles tenham interesse ou preparo para assumir a gestão de uma empresa. Nem todo familiar precisa trabalhar no negócio e nem todo proprietário precisa ser administrador. “O herdeiro recebe patrimônio. O sucessor precisa estar preparado para assumir responsabilidades”, explica Dr. Wadih. Quando essas definições são construídas com antecedência, a família ganha espaço para diálogo, preparação e correção de rumos. Sem regras claras, decisões importantes podem surgir justamente em períodos de maior vulnerabilidade emocional: enquanto um herdeiro deseja manter a empresa, outro pode preferir vendê-la; um precisa de liquidez, outro quer preservar imóveis. É nesse cenário que questões empresariais podem se misturar a antigas questões familiares. Reduzir essa margem de improvisação está entre as funções atribuídas por Dr. Wadih ao planejamento. A discussão vai além de determinar quem receberá cada bem e alcança decisões sobre quem administrará, quem poderá decidir, como eventuais impasses serão resolvidos e de que maneira a atividade empresarial continuará produzindo valor. “Planejar não elimina todos os conflitos. Mas reduz a improvisação”, sintetiza. Com o amadurecimento patrimonial, surge uma responsabilidade tão importante quanto construir: organizar o que foi conquistado para que não dependa exclusivamente da presença de seu fundador. A pergunta deixa de ser apenas quanto foi possível acumular e passa a incluir quanto permanecerá de pé quando ele já não estiver no centro das decisões. Para Dr. Wadih, é justamente aí que patrimônio e legado deixam de significar a mesma coisa: “Patrimônio só se transforma verdadeiramente em legado quando consegue continuar produzindo segurança, oportunidades e liberdade para quem vem depois de nós”, conclui. “Planejar não elimina todos os conflitos. Mas reduz a improvisação.” DR. WADIH HABIB ADVOGADO, ESTRATEGISTA E SÓCIO DA HABIB ADVOCACIA PROFESSOR, ESCRITOR E EMPRESÁRIO. k contato@habib.adv.br 1 7 YACHT MAIS OUTUBRO’ 2026

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