2 6 OUTUBRO’ 2026 YACHT MAIS Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” transformaram o tratamento da obesidade e permitiram resultados expressivos para muitos pacientes. Mas uma nova etapa começa a ganhar protagonismo nos consultórios: o que fazer quando chega o momento de interromper ou modificar o tratamento? A ciência ajuda a dimensionar esse desafio. No acompanhamento do estudo STEP 1, participantes tratados com semaglutida 2,4 mg perderam, em média, 17,3% do peso corporal. Um ano após a suspensão do medicamento, aproximadamente dois terços dessa perda haviam sido recuperados. Outro +N U T R I D E R M Estudos mostram reganho significativo de peso após a interrupção de medicamentos para obesidade e reforçam a importância de estratégias voltadas à alimentação, comportamento, massa muscular e acompanhamento a longo prazo. o desafio começa quando o peso já foi perdido Depois da caneta: grande estudo, o SURMOUNT-4, mostrou que pacientes que interromperam a tirzepatida após uma perda média inicial de 20,9% apresentaram aumento médio de 14% do peso corporal ao longo das 52 semanas seguintes. Os números não significam que todo paciente necessariamente recuperará o peso perdido, mas evidenciam a necessidade de encarar a obesidade como uma condição que exige acompanhamento a longo prazo. Para Lidiane Angelim, CEO da clínica Nutriderm e criadora do método Re-programe, é justamente nesse ponto que a preparação para uma nova fase precisa começar. “O objetivo não deveria ser apenas sair da caneta, mas chegar ao momento da retirada mais preparado para sustentar os resultados. A pergunta não é somente quanto o paciente emagreceu, mas o que ele conseguiu construir enquanto emagreceu”, afirma. A Organização Mundial da Saúde reconhece atualmente a obesidade como uma doença crônica e recidivante e recomenda que o tratamento medicamentoso esteja inserido em uma abordagem abrangente, que inclua alimentação saudável, atividade física e acompanhamento profissional. Isso porque os efeitos do reganho podem ultrapassar o número mostrado pela balança. Uma análise recente do estudo SURMOUNT-4 identificou que, quanto maior a recuperação do peso após a retirada da tirzepatida, maior também foi a tendência de reversão de benefícios anteriormente observados em indicadores como circunferência abdominal, pressão arterial, glicemia, colesterol e resistência à insulina. É nesse período de transição que comportamento e rotina passam a assumir papel central. Identificar gatilhos alimentares, compreender novamente os sinais de fome e saciedade, organizar refeições e aprender a enfrentar situações sociais sem depender exclusivamente do efeito da medicação fazem parte desse processo. A composição corporal também merece atenção. “Não podemos resumir o tratamento ao peso. Precisamos observar o que aconteceu com a massa muscular, como está a alimentação, qual é a capacidade funcional daquele paciente e o que será necessário construir daqui para frente”, explica Lidiane. Treinamento de força e ingestão adequada de proteínas podem integrar essa estratégia, sempre de maneira individualizada. A suplementação também pode ser utilizada quando houver indicação, considerando necessidades nutricionais, exames e avaliação profissional. Outro ponto frequentemente esquecido é o funcionamento intestinal. Constipação, distensão abdominal e alterações do trânsito intestinal podem ocorrer durante o tratamento e permanecer como questões a serem acompanhadas. Hidratação, consumo adequado de fibras e reorganização da rotina alimentar fazem parte desse cuidado. Foi a partir dessa visão que surgiu o Re-programe, método desenvolvido por Lidiane Angelim para trabalhar a transição e a manutenção de forma integrada, observando comportamento, nutrição, composição corporal, massa muscular, saúde intestinal, suplementação quando indicada e monitoramento da evolução. “Emagrecer pode ser o começo da mudança, não necessariamente o final do tratamento. Quando o paciente desenvolve ferramentas para cuidar da alimentação, da rotina, do corpo e dos próprios gatilhos, ele começa a construir autonomia. E essa autonomia é uma das peças mais importantes para sustentar resultados”, conclui. CLÍNICA NUTRIDERM o Avenida Antônio Carlos Magalhães, 1298, Itaigara | Shopping Cidade Q @clinicanutriderm m 71 99165-7262 LIDIANE ANGELIM
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