1 6 Escolhas conscientes: a vida plena sem filhos Por muito tempo, o roteiro da vida adulta seguiu uma narrativa quase imutável: casar, ter filhos e formar uma “família tradicional”. Hoje, no entanto, essa lógica vem sendo revista por um número crescente de pessoas que, de forma consciente, escolhem não ter filhos e constroem arranjos familiares tão sólidos e afetivos quanto os modelos convencionais. Para muitos, essa decisão não é fruto de negação, mas de autoconhecimento, liberdade de escolha e redefinição do que significa viver plenamente. “Essa geração 40+ cresceu sob forte pressão social para cumprir etapas, mas amadureceu num mundo em transformação. Hoje, escolhe o que faz sentido para si, não para corresponder a expectativas externas”, explica a psicóloga e terapeuta de família Carla Guimarães. Segundo ela, cada vez mais casais — ou indivíduos solteiros — encontram satisfação em estilos de vida que valorizam experiências, viagens, empreendedorismo ou causas sociais, em vez da parentalidade tradicional. A socióloga Fernanda Albuquerque, especialista em dinâmicas familiares contemporâneas, reforça que os conceitos de família e realização pessoal se expandiram. “Vemos adultos que formam redes afetivas com amigos próximos, irmãos, animais de estimação ou até comunidades intencionais. Essas conexões cumprem o papel de suporte emocional e pertencimento, tradicionalmente atribuído à família nuclear”, destaca. +COM P O R TAM E N TO POR CRIS MONTENEGRO Cresce o número de adultos que optam por não ter filhos e constroem novos modelos de família pautados na liberdade, na realização pessoal e em relações afetivas diversas. Além do aspecto emocional, a dimensão financeira e de estilo de vida também pesa na decisão. Pessoas com maior poder aquisitivo enxergam, muitas vezes, a oportunidade de investir em si, em projetos pessoais ou em experiências culturais e profissionais. “É uma escolha que envolve planejamento, não um impulso. Há uma visão de futuro construída com consciência, seja para garantir conforto, liberdade geográfica ou estabilidade financeira a longo prazo”, comenta o economista comportamental Rafael Tavares, que observa esse movimento crescer entre profissionais bem-sucedidos das grandes capitais brasileiras. Mais do que romper padrões, essa tendência revela um reposicionamento profundo dos valores contemporâneos: colocar o bem-estar, o propósito e a autenticidade no centro das decisões de vida. Afinal, família não é mais um modelo único, é um espaço que se constrói com afeto, presença e escolha. “Essa geração 40+ cresceu sob forte pressão social para cumprir etapas, mas amadureceu num mundo em transformação. Hoje, escolhe o que faz sentido para si, não para corresponder a expectativas externas” Carla Guimarães
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