Acomac 84

RevistaAcomac Bahia l 39 Comprodutos frágeis e de difícil armazenamento, a exemplo de pisos e areia, o setor de material de construção é um dos que mais registram perdas de materiais - sem considerar os casos de pequenos furtos, sejam por funcionários ou clientes. Baixo controle do estoque, acondicionamento inadequado de produtos comercializados e desperdício de água e de energia estão entre os problemas muitas vezes encarados, equivocadamente, como normais da natureza do negócio. De acordo com o consultor Paulo Cortizo Andion, especialista em varejo, engana-se o lojista que pensa que basta estimar o percentual de perda e, simplesmente, acrescentar no preço final do produto. “É preciso investigar a perda e tentar dimensioná-la o mais próximo possível da realidade, não apenas para tentar eliminá-la no dia a dia da empresa, como também para evitar lançar sobre o preço do produto uma margem danosa para o negócio, seja para mais ou para menos”, explica Andion. “Se o preço, por conta da perda, fica maior que o devido, o concorrente que fizer uma gestão melhor da questão, irá oferecer um preço mais justo para o consumidor; se o preço, por outro lado, fica menor que o devido, o lojista naturalmente sai no prejuízo”, explica, desmitificando a prática de “só compensar no preço e pronto”, ainda muito usada pelos comerciantes de material de construção. Andion já ministrou este ano, em Salvador, curso específico sobre o tema para lojistas da Associação dos Comerciantes de Material de Construção da Bahia (Acomac-BA). Sucesso de público, o curso agora será realizado em Feira de Santana, ampliando a oportunidade para os associados do interior do estado - ver matéria nesta edição, na nossa seção Acontece Acomac. Durante as aulas, o especialista detalhou táticas recomendadas para diminuir o índice de perdas no ramo, a exemplo da adoção de softwares específicos para controle de estoque e promover um inventário dos produtos, para trabalhar com a equipe diretamente nos índices de perdas apresentados (veja mais dicas em quadro nesta seção). PERDENDO O LUCRO “Um dos maiores desafios do varejo é justamente fazer o estoque bater, ou seja, manter a acuracidade do estoque”, diz o presidente da Acomac- -BA, Alexandre Cohim. Segundo ele, essa é uma das razões dos casos em que o produto aparece no computador, mas não tem no estoque. Cohim alerta para o peso da perda de materiais. “Considerando todo o processo produtivo, os encargos envolvidos até a entrega da mercadoria para o cliente, o lucro hoje do empresário, no final das contas, é de 3% a 5% do valor de venda, o mesmo percentual que é considerado para a perda”, alerta o comerciante experiente. Ele acredita que o momento de retenção na economia deva forçar o lojista a ser mais rigoroso no controle de perdas, ajudando-o a disseminar a cultura preventiva na empresa. Maior rede de loja de material de construção do Norte e Nordeste, a Comercial Ramos tem um portfólio com mais de 40 mil itens, distribuídos em seis lojas na Bahia, localizadas em Salvador (avenidas ACM e San Martin, além do Vale de Nazaré), Vitória da Conquista, Lauro de Freitas e Feira de Santana. A própria quantidade de itens oferecidos pela rede fez com que a empresa passasse a dar prioridade à gestão voltada para o controle de perdas, e hoje já contabiliza resultados. “Antigamente, gerávamos o equivalente a dois carros de produtos para descarte por semana e, atualmente, reduzimos isso para um a cada 15 dias”, conta o gerente de logística do Centro de Distribuição da Comercial Ramos, Leonardo Costa. O centro fica situado no bairro do Pirajá, em Salvador. A gestão focada no controle de perdas também permitiu a empresa aumentar a capacidade de armazenagem em 30% e, consequentemente, otimizar o fluxo de entregas, passando de 300 para uma média de 1.500 por mês. Costa revela algumas medidas implementadas: “Entre outras ações, adotamos uma política de passar a responsabilidade pelas avarias para o prestador que efetua a entrega, o que fez com as perdas fossem reduzidas em mais de 80%”, contou. “Trabalhamos também com ações de reciclagem e reaproveitamento de material, além da conscientização do colaborador, que é instrumento fundamental para o controle de perdas”, completou. ACORDANDO AGORA Desde que participou do curso sobre controle de perdas promovido pela Acomac-BA, em abril, o empresário Serafim Garcia, proprietário das lojas Novolar, em Salvador, vem pensando diariamente em adotar na empresa as medidas voltadas para a redução dos prejuízos com a questão. “Estamos já implantando medidas gradativamente, pois até então a gente não dava muita atenção no quanto se perdia de material no dia a dia, e agora essa questão começa a mudar”, revela. Com 20 anos de experiência no setor, o lojista Agenor Ferraz, da SOS Construção, confessa que nunca soube ao certo precisar as perdas nas duas lojas do empresa, situadas tam- “Umdosmaiores desafios do varejo hoje é fazer o estoque bater, ou seja, manter a acuracidade”. Alexandre Cohim

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