5 4 DEZEMBRO’ 2024 YACHT MAIS O corpo vem sofrendo modificações constantes no transcorrer da história da humanidade, de acordo com as convenções sociais que são variáveis. E, a partir do século vinte iniciou-se o culto ao corpo, no qual o capital corporal, objeto do desejo das grandes indústrias do “bem- -estar”, sugerindo uma série de práticas e produtos para sua manutenção, que ele em plena forma, passa a ser vantagem competitiva num mundo estetizado e, por sua vez, exposto aos olhares fuzilamines das redes sociais. Na chamada “sociedade da imagem”, exibicionista, ambientada no cenário midiático e da estética, o corpo está fragmentado e tatuado. Dividido em partes que são trabalhadas e tratadas individualmente e imaginadas “de per si”, sem envolver as demais. tornando a aparência física tão importante quanto o oxigênio para a vida das pessoas, que vão em busca de um ideal inatingível que, em sua maioria, pelos excessos, perdem a saúde física e mental, descaracterizando a sua verdadeira essência e compleição física, seguindo os modismos. Hoje, na pós-modernidade, a insatisfação com o corpo atinge uma considerável parcela do público feminino e masculino, sendo o primeiro citado o que mais pena com a pressão estética, cobrança interna e externa por um corpo perfeito, que pode afetar a saúde mental e das emoções, por conseguinte, a autoestima, ou até mesmo distúrbios relacionados a autoimagem, bem como os relacionados com a alimentação, uma das consequências perigosas da imposição do padrão de beleza. Encarar esse processo da estetização do mundo globalizado, requer uma analise profunda, na qual o autoconhecimento é essencial para evitar muito sofrimento, que gera insatisfação da imagem pessoal, redundado em anorexia nervosa, bulimia ou dismorfia, podendo levar até a óbito, na busca pelo ideal inatingível, ainda, pelos procedimentos estéticos de risco e por profissionais não habilitados, além do imponderável. Já existe uma forte tendência, baseada na diversidade de contemplações, na qual o respeito humano predomina com base na legislação vigente, amparando as opções pessoais, por conseguinte, livre de preconceitos, tais como, a gordofobia, entre outros, abrindo um universo de possibilidades para o capital imagético, entre outras, libertando a sociedade de padrões que escravizam a imagem pessoal. Agora, as manifestações do imaginário humano, surgem com muita criatividade para encantar. O irregular, o torto, o troncho, o desproporcional, o assimétrico entre outras variáveis, surgem como uma multiplicidade de contemplações. Todo ser humano deve ser respeitado na sua individualidade. Os parâmetros que regem a harmonia, ordem e simetria, responderam por muitos séculos naquilo em que reside a beleza, sendo um conceito de valor +A R T I GO POR FERNANDO FARIAS | FOTO RICARDO WEBER *ESCRITOR, PALESTRANTE, MEMBRO DA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - UBE, ARTICULISTA & ANALISTA DE REDES SOCIAIS Sobre Fernando Farias Abaixo os padrões estéticos! estético subjetivo e também abstrato. O mundo evoluiu, cada vez mais tecnológico, digital e com a inteligência artificial, dá um grande salto no “modus vivendi” da humanidade. Na caminhada muitos conceitos cairão por terra, dando lugar a inovação, novos comportamentos, tendências e estilos de vida, por certo. Porém, os critérios que nos fazem aplaudir ou admirar as pessoas devem continuar os mesmos. Principalmente, no tocante a autenticidade e ao comportamento ético. E que jamais a avaliação pessoal deve ser feita com base nos padrões estéticos, que podem provocar a desvalorização, estigmatização e hostilização das pessoas e seus corpos, levando a exclusão social, por conseguinte, à acessibilidade ao mundo corporativo. Concluímos. COSTANZA PASCOLATO “O que você tem, todo mundo pode ter, mas o que você é... Ninguem pode ser”
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