RevistaAcomac Bahia l 53 importância da liderança servidora para o sucesso empresarial. Todavia, muitos empresários atuam exatamente de forma oposta e estão ganhando dinheiro e muito dinheiro.” James Hunter respondeu: “Tenho certeza que quando você saiu da faculdade, deve ter pensado assim: vou procurar uma empresa para trabalhar onde meu chefe não me permita dar ideias, onde vale a máxima do eu mando e você obedece e que você não tivesse condições de se desenvolver profissionalmente. Por certo que não foi essa sua busca e, sim, o contrário. A pergunta que devemos nos fazer é: Por quanto tempo essas empresas continuarão a dar certo com esse tipo de atitude?” É PRECISO TER ATITUDE Como se pode constatar, existe atitude de dono positiva e atitude de dono extremamente negativa, senão, todas as empresas familiares seriam bem- -sucedidas e prósperas. Desde a ascensão do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles ao panteão dos maiores empresários do mundo, a tecnologia empresarial por eles praticada e difundida, temsido associada à “Atitude de Dono”, como fórmula de garantia de sucesso empresarial. Mas, afinal, o que é ter “Atitude de Dono”? Voltando ao dono que engorda o boi com seu olhar diário, podemos extrair como pontos essenciais dessa atitude: * Dedicar tempo e presença física; *Cuidar, com conhecimento de causa (saber técnico); * Acompanhar o desenvolvimento; * Promover o crescimento orgânico e sadio. * Formar um sucessor que possa continuar sua obra. Uma estratégia comprovadamente bem-sucedida para que se tenha “Atitude de Dono” (no sentido positivo) são as franquias. Os franqueados são literalmente os donos dos negócios, colocando seu capital no risco e, via de regra, são eles mesmos que operam diretamente as unidades de negócios, pelo menos quando se inicia. Mesmo sendo “o dono do negócio”, os franqueados estão sujeitos às normas e procedimentos que são estabelecidos pelo franqueador para que se garanta o padrão de qualidade almejado coma prática de uma rígida disciplina. É impensável que o Mc Donalds, na Bahia, possa vender acarajé ou que a Subway ,em Belém do Pará, vá vender Pato no Tucupi. Uma adaptação desta estratégia são as franquias internas que nada mais são que a prática da descentralização da decisão comumplanejamento participativo que crie as condições para a delegação planejada e assim gerar os resultados esperados em cada Unidade de Negócios, tendo um líder (de preferência um líder servidor ao estilo James Hunter) responsável pelo negócio. A mesma disciplina das franquias deve ser seguida ao se cumprir as normas e procedimentos da empresa e o que mais for pactuado no seu planejamento anual. Uma estratégia similar às franquias foi desenvolvida por umgrupo de empresários denominados no mercado como “Mineiros” por serem oriundos de Minas Gerais, mais precisamente da cidade de Patos de Minas. Os sócios majoritários identificam, preferencialmente, casais oriundos dessa região, interessados em atuar no mercado de calçados. Eles são responsáveis desde a prospecção do ponto até a montagem da loja, a escolha e compra do estoque inicial, obviamente com apoios especializados. São sócios e executivos do negócio e gradativamente pagam o capital inicial investido aos sócios capitalistas. O crescimento tem sido vertiginoso e incomodado bastante aos comerciantes tradicionais. FELICIDADE NO TRABALHO E porque o dono com a atitude de líder servidor tem se mostrado vencedor? Porque pessoas felizes são mais produtivas. Como, então, os donos devem fazer para tornar as pessoas felizes nas empresas? Criando as condições para que elas se realizem profissionalmente, emocionalmente e financeiramente, ou como diz Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), deixando-as felizes na cabeça, no coração e no bolso. Na cabeça; por trabalharem numa empresa onde os líderes não só permitem, mas criam as condições de desenvolvimento intelectual e profissional dos seus liderados. No coração; ao propiciar um clima organizacional favorável onde as pessoas tenham prazer em estar e trabalhar, sem sofrer com a síndrome da música do Fantástico, que, quando toca ao final do programa aos domingos, muitos pensam: “Putz! Tenho que trabalhar amanhã.” No bolso; com a implementação de programas de remuneração por meritocracia sobre resultados e metas superadas. A conhecida RV - Remuneração Variável ou PLR - Participação nos Lucros e Resultados, desde que enquadrada na lei específica (10.101 alterada pela lei 12.823). Em suma, como dizia o refrão de uma antiga publicidade: “Não basta ser pai, tem que participar”, podemos parodiar afirmando que: Não basta ser dono, tem que ser líder! Ser dono não é fácil no nosso país com todos os entraves burocráticos e tributação exacerbada; e, ser líder dá trabalho - muito trabalho. Diário! Mas, é possível, e vale muito a pena. Temos visto muitos exemplos de verdadeiros líderes servidores bem-sucedidos empresarialmente. De volta a citações, dessa vez, não um adágio popular, mas uma frase criada pelo meu querido amigo Roberto Senna, resume nosso esforço para ter atitude de dono: “A menor distância entre dois pontos...é um sonho!” h * O administrador Ângelo Veigae formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), sendo sócio fundador do Instituto Planos Tecnologia Empresarial e Desenvolvimento Humano. Contato: angeloveiga@ institutoplanos.com.br “IrmãDulce acordava, diariamente, por volta das 5h e visitava todos os quasemil pacientes nos leitos das suas obras sociais: verdadeira atitude de dono”. Ângelo Veiga
RkJQdWJsaXNoZXIy MzE3MjY=