Acomac 83

32 l RevistaAcomac Bahia Economia PorDa Redação l FotosReprodução/Divulgação Ponha a mão na carteira ou nos bolsos e procure pela Marianne – nome daquela efígie da República que estampa o anverso da maioria das moedas de R$ 1 que circulam no país. Com preguiça? Não vale o esforço? Pois é. Pobre Marianne: está definitivamente abandonada. Veste um prata com bordas douradas, mas ninguém dá mais bola a ela. Em dez anos, jamais valeu tão pouco. Não bastasse o quadro de inflação aguda, que lhe acomete com cada vez mais gravidade, Marianne enfrenta uma concorrência impiedosa. Trata-se de seu primo rico, o dólar, cuja cotação chegou a R$ 2,90 nesta segunda-feira, dia 23. A última vez que o dólar se aproximou de valor tão alto foi no dia 25 de outubro de 2004, quando chegou a R$ 2,88. Marianne está prestes a conhecer o mesmo desprezo concedido pelos brasileiros aos colegas mirrados dela, como o diplomata barão do Rio Branco (R$ 0,50) e o primeiro presidente da República, Deodoro da Fonseca (R$ 0,25). Há destinos mais cruéis. Se a economia brasileira prosseguir rumo ao bueiro, Marianne será uma das primeiras a chegar a ele. Ou ficará esquecida nas sarjetas, sujeita aos bicos desdenhosos dos ébrios, intempérie comum na vida do dentista Tiradentes (moeda de R$ 0,05) e do descobridor Pedro Álvares Cabral (R$ 0,01), o sumido. O triste fim de Marianne deve-se a duas doenças. A primeira vem de longe. Chama-se “depreciação cambial”, no linguajar desalmado dos economistas. Nasce nos Estados Unidos, cujo banco central, o Fed, deu sinais de que subirá os juros. Essa expectativa leva grandes investidores a pegar economias depositadas em países em desenvolvimento, como o Brasil, e transferi-las para lugares mais seguros, amoeda de R$ 1 nunca valeu tão pouco em 10 anos A inflação avança velozmente, o real atinge o seu menor valor ante o dólar em mais de dez anos – e a moedinha de R$ 1 leva a pior como os Estados Unidos. Marianne, coitada, não está imune nem ao que acontece na longínqua China – a economia do país asiático deverá crescer menos que o esperado neste ano. Se a China, o maior parceiro comercial do Brasil, crescer menos, o Brasil também crescerá menos – e sobrará para Marianne. Ela se desvalorizou mais que a lira (Turquia), o iene (Japão), o peso mexicano e o dólar australiano. >> MORDIDAS DE TODOS OS LADOS A segunda doença tem nome simples, mas é tinhosa e avança progressivamente: a inflação. A alta dos preços nos últimos 12 meses superou a marca de 7%, acima do teto da meta da inflação, que é de 6,5%. Somente no mês de janeiro, a inflação atingiu 1,24%: o maior patamar mensal desde 2003. Está ruim, mas vai piorar. Nos próximos meses, haverá aumentos nas contas de luz e de água, graças à escassez desse precioso recurso nos reservatórios pelo país. Somente a conta de luz, sem os subsídios do governo, poderá ficar quase 50% mais cara. Há duas semanas, as previsões para a inflação até o fim de 2015 subiram para 7,15%. Se confirmado, será o maior patamar desde 2004, nos primórdios do governo petista. A soma das duas doenças poderá ser demais para MaPobreMarianne: Se a economia brasileira prosseguir rumo ao bueiro, Marianne será uma das primeiras a chegar a ele

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